[RESENHA] Emma-Jane Austen

Oi, Pessoal, tudo bem?  Feliz 2018!

Essa é a primeira postagem do ano de 2018 e também é a primeira depois de algum tempo sem nenhuma postagem aqui, no Blog Livros e Andanças. Contudo, estabeleci como uma das metas desse ano a continuidade das postagens, com mais das minhas descobertas literárias, com as minhas crônicas e com as minhas aventuras de viajante.

Sem mais delongas, vamos à primeira resenha do ano, que é do livro Emma, da consagrada escritora inglesa Jane Austen. Ainda que o mais conhecido e o mais famoso livro da escritora seja “Orgulho e Preconceito”, é Emma que ganha destaque entre os críticos, como a verdadeira obra-prima de Austen.

O livro Emma, lançado em 1815, gira em torno da jovem Emma Woodhouse, uma dama de 22 anos, de boas posses, bonita e perspicaz, que, desde muito cedo, decidiu que jamais subiria ao altar. Contudo, tal decisão não serviu de empecilho para que ela assumisse para si a função de casamenteira, visto que obteve o maior sucesso ao unir a sua querida amiga- e antiga governanta, Miss Taylor, em matrimônio com o Sr. Weston, um homem de caráter ilibado, fortuna considerável e idade adequada.
“Há pessoas que, quanto mais fizermos por elas, menos farão por si mesmas.”
Ao longo do enredo, vamos adentrando no universo de Emma e da sua singular vizinhança de Highbury, de maneira que vamos conhecendo a intimidade da própria protagonista, do Sr. Woodhouse-seu querido pai, do Sr. e da Sra. Weston, de Miss Bates, sua mãe e sobrinha, e, é claro, do racional e sensato Sr. Knightley.

O ponto de partida do livro é o casamento de Miss Taylor e do Sr. Weston, conforme anteriormente mencionado, momento este em que Emma assume para si a função de casamenteira daqueles que lhe são queridos. É, nessa situação, que Emma conhece e toma Miss Smith, Harriet, como sua amiga e seu novo alvo para bons casamentos. Logo, Emma unirá o seu forte objetivo de casar Harriet com um bom partido, dentro, é claro, da sua classe social, em meio a uma vizinhança cheia de civilidade, boas maneiras e de muitas fofocas e suposições mascaradas de educação.

Não tenha dúvida, o livro “Emma” reflete as melhores qualidades e as características mais peculiares de Jane Austen. Ao longo das linhas, conseguimos perceber a sua sagacidade em colocar, ao longo da trama, a ironia nas ações e em pensamento, o questionamento sobre o pertencimento às classes sociais já enraizadas na sociedade londrina e, bem verdade, no mundo todo, assim como o debate sutil e inteligente a respeito da independência feminina e do seu distanciamento com o matrimônio se tornam presentes e constantes, na obra.

Emma Woodhouse é, sem dúvida, aquela protagonista que nós odiamos, mas também por quem nutrimos uma pontinha de amor e torcemos para um final feliz. Ela é rica e também esnobe, trazendo para si um traço de arrogância, que vai se tornando familiar ao longo da trama. Ela pertence a uma certa posição social e incorpora bem o seu papel. Ela sabe e defende o lugar a qual ela pertence. Ao mesmo tempo, ela é tão segura de si e das suas opiniões, tão fiel às suas decisões e devotada à sua família, que não tem como não torcer para que ela também se realize emocionalmente.

Assim como está bem dito no começo do livro, o grande mal de Emma, na verdade, é que ela pensa muito bem de si mesma. O que, de certa forma, acaba interferindo na forma como ela age e projeta o sonho dos outros. Os conselhos são tantos que Emma acaba se vendo perdida e enciumada, quando os seus alvos acabam se aproximando, além de que ela acaba percebendo e entendendo os seus verdadeiros sentimentos.  
“Se algum dia sair de sua casa, Miss Woodhouse, como agora fiz, vai compreender o quanto é bom encontrarmos algo que nos lembre o lugar que deixemos para trás.”
Por mais que o livro seja, em vários pontos, cansativo, seja pelas lamúrias do Sr. Woodhouse ou pelos discursos longos de Miss Bates, a obra reflete bem uma sociedade que gira em torno das formalidades e das “civilidades” que decorrem das posições que cada um assume. Ainda que haja tantas posições que o próprio amor deva seguir e respeitar, é possível criar laços verdadeiros entre os personagens que são realmente queridos uns para os outros.

Ah, destaque especial para o box da Editora Nova Fronteira, que está muito maravilhoso e muito lindo. Não só o box, mas cada livro na sua individualidade. O livro de Emma tem uma capa maravilhosa e a diagramação está muito incrível também. Sucesso total!


Emma é aquele clássico que nos permite conhecer uma protagonista imperfeita e que carrega em si tanta verdade e, ao mesmo tempo, tanta contradição, que a torna uma pessoa comum e capaz de ser a nossa própria vizinha. Uma protagonista que não almeja casar ou se apaixonar, numa sociedade que preza tanto o matrimônio e a posição social, mas que acaba encontrando um amor que lhe considera em toda sua totalidade, intelectual e afetiva. Um livro que vai te arrancar boas risadas e que vai te inserir no universo de estratégias e de segredos de Miss Woodhouse. 

Classificação: 3,5 estrelas

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