[Crônica] São Paulo vive em Nós


Agitada. Intensa. Movimentada. Talvez essas sejam algumas das palavras que possam descrever a cidade de São Paulo para você. Elas também a descreviam para mim, mas hoje eu sinto essa cidade de maneira completamente diferente. Eu sinto São Paulo na sua intensidade, mas também sinto essa cidade na sua calmaria e nas suas histórias tão bem guardadas.

No início do filme De Onde Eu Te Vejo, Denise Fraga nos pergunta quantas histórias podem caber em São Paulo. Quando histórias podem caber naquela infinidade de apartamentos. Afinal, São Paulo está cercada de prédios e de agitação, mas ela está, acima de tudo, cercada de histórias.

Assim como a capital paulista, todos nós temos as nossas reentrâncias, temos os nossos túneis que levam a segredos tão bem guardados. Nas cores das paredes, no semáforo fechado ou nos degraus do Teatro Municipal, todos nós temos boas lembranças de algo ou de alguém. Estamos todos os dias escrevendo a nossa história e guardando na memória tantos locais e pessoas que foram importantes para construir quem nós nos tornamos, ainda que tudo isso ocorra de maneira oculta aos olhos dos outros.

Assim como pode ser agitada, no meio daquele tumulto que passa correndo às 17 horas no meio da Avenida Paulista, São Paulo também sabe ser calmaria, enquanto um grupo de amigos joga conversa fora e troca confidências na mesa de um shopping. Em meio a tantos prédios, encontramos resquícios da história do que um dia já se viveu naquelas ruas tão movimentadas.

Em meio a tantas rugas e ao envelhecimento natural do corpo, aquele elegante casal que dança tango na Avenida já curtiu uma eletrizante juventude, que foi cheia de flertes e de aventuras. Em meio a tantos prédios novos e antigos, histórias estão sendo construídas e contadas todas os dias, ainda que isso não seja perceptível aos nossos olhos.

Cheia de fachadas e de cenários diferentes, somos na nossa individualidade um pouco de São Paulo também. Somos diferentes a cada momento e, principalmente, a cada vez que uma nova pessoa nos enxerga. Guardamos as nossas inseguranças e os nossos problemas apenas para nós e para os mais próximos. Sob o olhar dos turistas, aparentamos estar bem, mesmo que a nossa alma ainda esteja se reerguendo e o nosso coração esteja juntando os cacos da última separação. Temos histórias incríveis para contar, que se encontram em exposição para quem quiser saber, mas apenas as melhores ficam a sete chaves, em um terreno para poucos transeuntes.


São Paulo, nas suas ruas movimentadas e nas suas exposições diversas, me ensinou que sabemos ser muitos e, ao mesmo tempo, sabemos ser únicos. Agora, em um intenso questionamento, eu pergunto, fazemos parte de quantas histórias? Quantas histórias estão construindo quem nós somos? Quantas histórias podem caber no seu coração?

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