[RESENHA] Cilada para um Marquês

Oi, Pessoal, tudo bem?

Quem me conhece sabe que eu sou completamente apaixonada por Romances de Época, sendo esse tipo de livro muito presente na minha estante e nas minhas leituras, principalmente durante as férias. Logo, a resenha de hoje será sobre o mais novo livro da escritora Sarah MacLean, que foi publicado pela Editora Gutenberg e que eu adquiri durante a Bienal do Livro de São Paulo. Sim, estamos falando de Cilada para um Marquês, o primeiro livro da série Escândalos e Canalhas.


Em Cilada para um Marquês, vamos conhecer a história de Sophie Talbot, a irmã mais nova da Família Talbot, cujas filhas são conhecidas na Sociedade Londrina como as Irmãs Perigosas ou as Cinderelas Borralheiras. Por mais que o Chefe da Família Talbot tenha um título de conde e seja bastante rico, sua família não é respeitada pela Sociedade pelo fato de o seu título ser proveniente de um acordo obscuro com o Rei e por suas filhas mais velhas apresentarem casos amorosos extravagantes.

Sophie Talbot é completamente diferente das suas irmãs. Apaixonada por livros e pela liberdade do campo, a protagonista em questão detesta a Sociedade e as suas inúmeras hipocrisias. Contudo, tudo muda quando, na Mansão Liverpool, Sophie se envolve em um escândalo que ameaça não só o seu nome, como também o futuro das suas irmãs. Convencida de que aquele não é, de fato, o lugar ao qual pertence, Sophie resolve voltar para a sua terra natal, local este em que abrirá uma livraria para sobreviver.

O plano, que parecia perfeito aos olhos de Sophie, começa a ruir quando o seu caminho cruza com Rei, que é o Marquês de Eversley, futuro Duque de Eversley e um profissional nato na arte de arruinar damas da Sociedade. Dono de um charme indiscutível e de uma reputação bastante obscura, Rei está rumando pela Grande Estrada do Norte para visitar o seu pai, que está à beira da morte e pronto para lhe passar o seu ducado.

Enquanto Rei acredita que Sophie Talbot, a Irmã Perigosa mais nova, invadiu a sua carruagem para conseguir um escândalo e, por conseguinte, um casamento, Sophie tenta provar que tudo o que ela mais quer é sair de Londres e de suas regras estúpidas. Assim, eles embarcarão numa grande viagem, pela Grande Estrada do Norte, em busca de cumprir as suas respectivas missões, mas talvez eles encontrem o que ambos buscavam, sem mesmo saber: o caminho do coração um do outro.

Bom, quando se lê muitos Romances de Época, as histórias podem se tornar um tanto quanto repetitivas, além de você passar a conhecer bem as inúmeras regras da Sociedade Londrina. A escritora Sarah MacLean é conhecida por seus livros com canalhas e libertinos como foco dos livros e é por isso que, quando o enredo é trabalhado de uma forma diferente, meu coração é conquistado. Para mim, o melhor livro da escritora continua sendo Nove Regras a Ignorar antes de se Apaixonar, mas Cilada para um Marquês, com toda certeza, ganhou um espaço especial na minha estante.
“Não precisamos conhecer uma pessoa para saber que temos que fazer o que é certo por ela.”
Sophie Talbot não é uma dama afeitada da Sociedade Londrina. Como vem do campo e a riqueza de sua família foi conquistada através das minas de carvão, Sophie sabe qual é o gosto da liberdade e sabe qual é o preço que se deve pagar ao passar a fazer parte da tão tentadora Sociedade Londrina. Enquanto todas as suas irmãs adoram os holofotes e os mexericos, Sophie quer manter distância de tudo isso. Logo, como sempre viveu na sombra das suas irmãs mais velhas, Sophie é mais reservada e, como vamos descobrindo aos poucos, não sabe o quão grandiosa ela é.

Nesse enredo, temos uma protagonista apaixonada pela literatura e pelo universo mágico das palavras. Logo, temos aqui uma dama inteligente, de língua afiada e muito sagaz. Determinada a atingir seus objetivos, Sophie não mede esforços para obter sucesso em suas missões e a defender aqueles que são indefesos e que ela realmente ama, mesmo que ela leve um tiro como preço de tudo isso.

O mais interessante de Sophie Talbot é que ela faz parte das Irmãs Perigosas, mas ela não sabe ainda o valor que tem, o quão bonita ela é por dentro e por fora. A verdade é que Sophie ainda está tentando encontrar o seu lugar no mundo, encontrar o seu lar, onde ela poderá se sentir segura e amada pelo o que ela realmente é.

Na outra extremidade, temos o Marquês de Eversley, que aparenta ser tão seguro de si que concedeu a ele mesmo o nome de Rei, o soberano de todos. Conhecido por arruinar a reputação de damas noivas e de acabar com casamentos, Rei está frequentemente nas manchetes dos escândalos e parece não se importar com isso.

Aparentemente inabalável, ao longo das páginas, vamos conhecendo o verdadeiro Rei e o peso das suas feridas. Como forma de punir o próprio pai, Rei pretende fazer com que a linhagem acabe com ele, nunca se casando e nunca sendo ferido pela arma mais perigosa que alguém pode encontrar: o amor. Pelo menos, não ser ferido duas vezes, é o que ele quer dizer, pois vamos descobrindo que Rei se apaixonou e que foi justamente esse amor que a ele ocasionou tanta dor.

Inicialmente, você poderá achar que o Marquês de Eversley será uma figura bastante parecida com Simon Basset, de O Duque e Eu, da maravilhosa Julia Quinn. Mas, ao longo das páginas, vamos percebendo que ele é muito melhor e maior do que o Simon, porque ele consegue ser uma fortaleza e o “Rei” da fragilidade ao mesmo tempo. Rei já teve a sua alma dilacerada pelo amor, mas isso não o impede de ser doce, cuidadoso e muito teimoso, na medida certa. Quando ele se abre para o Sophie, é impossível não se emocionar.
“Cada livro que você leu fez de você uma pessoa melhor.”
Sophie e Rei são dois personagens que ainda estão tentando encontrar, realmente, os seus respectivos caminhos, em meio a tantos sentimentos que eles escolhem sufocar. Sophie quer fugir daquilo que os outros esperam que ela também seja, enquanto Rei deixou, por muito tempo, que uma única tragédia o definisse pelo resto da sua vida.

A maneira como eles se enxergam e como defendem um ao outro, mesmo que imperceptivelmente, é muito bem trabalhada. Porque, ao longo de tiros, de perseguições e de confissões, eles vão criando uma relação tão verdadeira e intensa quanto o que eles sentem um pelo outro.

Além de muito romance e de muito amor reprimido, o livro também reserva muitas risadas, principalmente por parte da Família Talbot, que ama um escândalo e um holofote. Ao mesmo tempo em que reviramos os olhos para algumas ações das irmãs Talbot, nos deliciamos com a maneira que elas levam a vida, porque aquelas sim sabem como transformar um evento da temporada em um verdadeiro espetáculo.

No começo do livro, todos nós passamos a acreditar que o Duque de Eversley, que é Pai do Rei, é o verdadeiro vilão do enredo. Tudo bem, ele é teimoso e grosseiro, mas o meu instinto de leitora deu um voto de confiança para ele e não houve arrependimentos. Enquanto que, ainda que aparente ser bondoso, o pai de Sophie não me convenceu e para mim ele foi tão negligente quanto o pai de Elizabeth Bennet, em Orgulho e Preconceito. Então, vale a dica para você ficar de olho nesses dois personagens tão enigmáticos.

É preciso ressaltar também que a edição de Cilada para um Marquês, da Editora Gutenberg, superou todas as outras publicações da Editora, nesse gênero. A capa ficou maravilhosa e os detalhes em cada capítulo também chamam a atenção do leitor para o cuidado dedicado pela Editora.

O enredo não guarda nenhum evento mirabolante, mas tem como foco o fato de o amor ser tão perigoso e tão regenerador, ao mesmo tempo.

Cilada para um Marquês é um livro em que o amor se mostra como um personagem capaz de destruir e de regenerar, ao mesmo tempo. Com personagens cativantes, esse enredo vai mostrar que, às vezes, lar não é um lugar, mas uma pessoa que encontra o caminho do nosso coração.


Classificação: 5 estrelas (💓) 

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