[RESENHA] Azar o Seu

Oi, Pessoal, tudo bem?

Na resenha de hoje, vamos falar do livro Azar o Seu, da escritora nacional Carol Sabar. Confesso que nunca havia lido nada da Carol Sabar e que esse livro só chegou em minhas mãos após duas indicações literárias que recebi elogiando a trama e a sua escritora.


Em Azar o Seu, vamos conhecer a história de Ana Beatriz Guimarães, que tem 25 anos e que acaba de ser demitida da FB Logística, por justa causa, em decorrência da falsa acusação de Assédio Sexual. Como a maré de azar para a Bia está grande, o que está ruim pode ficar, com toda certeza, pior.

Assim, voltando para Juiz de Fora, Bia se vê em meio ao grande congestionamento, na Linha Vermelha, no Rio de Janeiro, enquanto o rapaz do carro ao lado tenta enlouquecidamente falar com ela. Quando o rapaz desce do carro em sua direção, um enorme tiroteio começa na Linha Vermelha e eles se jogam lado a lado por baixo da Kombi que Bia estava dirigindo.

Com o medo da morte iminente, Bia começa a se declarar para Guga, seu melhor amigo e seu amor de infância, na esperança de que o cara ao seu lado possa levar as suas últimas palavras para o amor da sua vida. Só que o que ela não sabe, pois não foi capaz de reconhecer, é que o cara ao seu lado é o próprio Guga. Assim, depois do tiroteio, os dois acabam se envolvendo, de forma que Bia fica muito feliz ao achar que finalmente foi capaz de se apaixonar por alguém que não é o Guga, enquanto que Guga fica cada vez mais temeroso em assumir a sua verdadeira identidade.

O livro é todo trabalhado em primeira pessoa, sendo Ana Beatriz a narradora e aquela que dará vazão aos seus pensamentos, ao longo das 367 páginas de enredo. Além disso, a narrativa é cheia de flashbacks da infância dos personagens, de alguns momentos da vida adulta da Bia, sendo importante ressaltar que, ao longo das páginas, vamos nos deparando com inúmeras referências de livros, de pensadores e de músicas que embalaram não só a vida dos protagonistas, mas dos leitores também.
“Eu me sentia pequena na imensidão do mundo.”
Ana Beatriz Guimarães, a nossa protagonista louquinha, é uma jovem de 25 anos bem gente como a gente, que sofre com o desemprego, que não leva desaforo para casa e que é, acima de tudo, o drama em pessoa. Por estar vivendo numa maré de azar, a Bia já tem uma pré-disposição para achar que tudo dará errado na sua vida, sendo assim muito insegura de si e não acreditando verdadeiramente no seu potencial.

Durante mais da metade da sua vida, o foco da vida da Ana Beatriz foi a música, tendo ela feito parte de um famoso conservatório da sua cidade e sendo ela dona de um talento enorme, principalmente no piano. Contudo, ao longo do livro, vamos conhecendo um pouco mais da Bia e descobrindo que, por medo de não alcançar uma estabilidade financeira, ela acaba desistindo do seu grande sonho e migrando a sua vida profissional para a administração.

Só que anos e muitos cursos depois, Bia está desempregada e tem que voltar para Juiz de Fora para ajudar o seu pai na floricultura Quatro Estações, além de ter que conviver com a realidade de que todos os seus amigos de infância estão bem e realizados em suas respectivas profissões.

Ao longo do livro, vamos percebendo que a Ana Beatriz também guarda dentro de si algumas dores e que busca escondê-las do restante do mundo, principalmente no que diz respeito à sua mãe, que fugiu com o amante, quando a Bia ainda era pequena. Logo, mesmo que imperceptivelmente, ela vai tentando fugir da imagem da mãe e de quem ela era, sendo assim uma pessoa que não consegue arriscar e que foge da felicidade concreta, que é oferecida para ela de bandeja.

Durante o desenvolvimento do livro, eu quis abraçar a protagonista inúmeras vezes, assim como um quis dar uma chacoalhada em seus ombros para que ela parasse de ser tão dramática e, na maioria das vezes, uma pessoa tão negativa. Ela não era capaz de enxergar a quantidade de segundas chances que a vida estava oferecendo, ainda que ela estivesse com uma dívida de 21 mil reais nas costas.

Enquanto a Ana Beatriz era o drama e o caos em pessoa, a figura de Gustavo Vitorazzi vem para contrabalancear tais características, pois ele é a personificação da calma e da segurança. Dono de uma voz sedutora (para a música e para as conquistas amorosas), o Guga é um jovem maduro, seguro de si e do que ele é capaz, além de ser um amigo leal, pelo que se pode conhecer da sua personalidade pelos flashbacks que ocorrem ao longo das páginas.

Contudo, como ninguém é perfeito, achei o Guga uma pessoa muito imediatista, que não sabe, muitas vezes, deixar que as coisas ocorram no seu curso natural. Além disso, fiquei com vontade de dizer poucas e boas para ele, quando esse desnaturado mentiu para a Bia e passou 10 anos sem mandar nem um postal do Big Ben como sinal de vida.

Além dos protagonistas da trama, temos um destaque para o pai da Ana Beatriz e a Raíssa, que é irmã do Guga e a (ex/atual) melhor amiga da Bia.

O pai da nossa protagonista o reflexo do pai presente e dedicado, que faz de tudo para ajudar a filha, inclusive dizer umas boas verdades, no momento certo. Enquanto isso, a Raíssa, em mais da metade do livro, só aparece por meio dos flashbacks, em memórias da infância e da adolescência da Bia. O retorno da Raíssa, na vida adulta da Ana Beatriz, acontece no momento certo, no momento em que é preciso se estabelecer o tão importante pilar da amizade e reacender a chama da lealdade, na vida tanto da Bia quanto da Raíssa Vitorazzi.
“Você, o extremo oposto, tem uma felicidade escancarada à sua frente, uma felicidade concreta, real. Não precisa nem correr. Mas está a ponto de perde-la por se recusar a dar um passo.”
O enredo de Azar o Seu é repleto de situações que poderiam realmente acontecer no dia a dia de qualquer um de nós, pois, assim como os personagens do livro, somos imperfeitos e podemos passar por fases ruins em nossas vidas, da mesma forma como sempre acreditamos que podemos encontrar a felicidade.

Cheio de situações cômicas, o livro é diversão garantida para aqueles que buscam uma leitura leve e capaz de aquecer o seu coração, pois temos aqui personagens irrevogavelmente apaixonados e que são propensos a cair em muitas rasteiras da vida, assim como nós.

Contudo, como nem tudo são flores, é preciso dizer que o livro é cheio de passagens que foram, muitas vezes, desnecessárias e que acabaram comprometendo a objetividade do enredo. Além disso, os personagens apresentam referências demais, em algumas passagens, retirando um pouco da originalidade de cada um deles.

Azar o Seu é um livro muito divertido e que vai aquecer o seu coração, além de te fazer rever a forma como você lida com os problemas que podem te atingir, com as amizades verdadeiras que, às vezes, foram levadas para caminhos distantes do seu, e com o fato de que devemos saber arriscar, desde que acreditemos no nosso potencial e não boicotemos a nossa própria felicidade.


Classificação: 4 estrelas. 

2 comentários:

  1. Oi, Bel!
    Já tinha visto esse livro por aí.
    Com a sua resenha, já posso dizer que vou me irritar muito se eu fosse ler esse livro. Eu e a protagonista não íamos nos dar bem. Mas quem sabe um dia eu dê uma chance?
    Beijão!

    http://www.asmeninasqueleemlivros.com/
    http://www.lagarota.com.br/

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    1. Oi, Cris,
      Eu fui me adaptando à protagonista aos poucos, mas a forma como a história vai se desenvolvendo vai ganhando o nosso coração. Como na literatura é tudo possível, acho que, no futuro, você dará uma chance ao livro. Haha. Estarei aqui para que possamos debater bem muito depois.
      Beijoooos no coração,
      Bel <3

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