[RESENHA] As Épicas Aventuras de Lydia Bennet

Oi, Pessoal, tudo bem?

A resenha de hoje será bem especial para aqueles que são fãs das obras da escritora inglesa Jane Austen, que tem Orgulho e Preconceito como um dos seus livros mais conhecidos. O livro hoje tratado será As Épicas Aventuras de Lydia Bennet, das escritoras Kate Rorick e Rachel Kiley, e que tem Lydia Bennet, umas das irmãs Bennet, como a sua protagonista.
Quem não conhece o livro ou a forma como o enredo é trabalhado precisa saber que, assim como O Diário Secreto de Lizzie Bennet, as autoras vão nos trazer os mesmos personagens de Orgulho e Preconceito em uma versão moderna e que se enquadra no mundo das mídias sociais em que vivemos.

Dessa forma, As Épicas Aventuras de Lydia Bennet será um livro que nos permitirá conhecer mais da irmã Bennet que causou o maior rebuliço ao fugir com George Wickham, no enredo original de Orgulho Preconceito. Só que, como estamos em pleno século XXI, a nossa Lydia não terá fugido, mas sido vítima de George ao fazer com ele um vídeo erótico e este ter sido vendido na Internet pelo próprio George.

Em As Épicas Aventuras de Lydia Bennet, ainda que tenhamos os nossos casais favoritos presentes, como Lizzie e Darcy e Jane e Bing, o enredo todo focará em Lydia, que está num momento de se descobrir como pessoa, de definir os seus objetivos e encontrar o seu lugar no mundo. Além disso, vamos nos deparar com uma Lydia tentando lidar com as mudanças provocadas, na sua vida, desde que o vídeo erótico feito com George foi divulgado nas redes e que Darcy impediu que uma repercussão maior ocorresse.

Se uma palavra pudesse definir Lydia Bennet, acho que Intensa seria a mais apropriada, pois ela nunca está parada e os seus pensamentos sempre estão a mil por hora. Confesso que, em O Diário Secreto de Lizzie Bennet, a Lydia foi uma das personagens que eu menos gostei, visto que ela era muito impulsiva e, muitas vezes, imatura, mas ao ler esse novo livro, a personalidade dela conquistou o meu coração de leitora.

Focada em conseguir os créditos universitários suficientes e passar no seu curso de verão, na faculdade comunitária, Lydia está tentando ser uma pessoa mais responsável e mais focada nos estudos, visto que ela precisa de uma bagagem acadêmica forte o bastante para ser admitida em Psicologia e não pode decepcionar todos aqueles que facilitaram o seu processo de admissão.

Contudo, ainda temos uma Lydia que não entende bem os seus sentimentos e que se sente muito perdida, em uma imensidão de possibilidades do que ela pode vir a ser e do que os outros já esperam que ela seja. Depois que foi impedido de comercializar o vídeo erótico, George foi para longe e, de certa forma, roubou um pouco de quem a verdadeira Lydia é, pois foi preciso mudar a sua rotina e a maneira como ela lida com as pessoas, passando a ser um pouco mais desconfiada do que o normal com aqueles que dela se aproximam.

Para todos os efeitos, Lydia Bennet está mais do que bem, ela está ótima. Em todo o seu brilho natural, ela já superou o ocorrido e está pronta para seguir em frente. Só que tudo parece desmoronar novamente quando ela perde o prazo de envio da sua ficha de inscrição para a Universidade e acaba destruindo todas as expectativas que todos depositavam nela, inclusive ela própria. Mais uma vez, ela faz o melhor que sabe: estragar tudo. A partir desse momento, Lydia acaba se perdendo mais uma vez no meio do caminho e se deixando levar por falsos amigos e pela ilusão de que tudo vai ficar bem, se ela não se importar com nada, como sempre fez.

Nessa nova fase da sua vida, temos destaque para Cody, Mary e Violet, que são figuras constantes no seu dia. Cody, o carinha legal da aula de Introdução à Psicologia, parece ter o dom de fazer todas as preocupações de Lydia desaparecerem, o que a faz mergulhar fundo nessa nova relação. Desde o princípio, o Cody não me convenceu e, para mim, ele sempre estava em busca de alguma coisa a mais, com uma segunda intenção sempre escondida. Então, fique de olho bem aberto às suas atitudes.

Enquanto isso, a Mary merece um prêmio por ser tão paciente com a Lydia, que está normalmente fazendo burrada e escondendo o que sente realmente. Contudo, assim como o restante da família Bennet, Mary se omite inúmeras vezes em dizer a verdade e em abrir os olhos da Lydia, pois todos ainda temem que a nossa protagonista ainda esteja frágil demais. E será essa omissão familiar que se mostrará como um dos pilares para uma das mensagens que o livro passa: a comunicação é fundamental no processo do nosso próprio crescimento e daqueles que estão a nossa volta.

Quando tudo parece próximo do fim e Lydia termina o seu curso de verão e não tem mais uma faculdade para ir, ela embarca para Nova York, a fim de visitar Jane e conhecer um pouco dessa cidade fantástica. Contudo, é lá que Lydia vai encontrar novos lugares e novas pessoas, mas acima de tudo o seu próprio caminho e quem ela realmente quer ser.
“O importante é colocar um pé diante do outro e só olhar para trás para aprender com o que aconteceu.”
No meio de todo esse caos interno e das confusões que não deixam a nossa protagonista sozinha, podemos aprender com Lydia que não nos recuperamos dos nossos traumas de uma hora para outra, pois essa é uma jornada cheia de altos e baixos e que exige de nós a paciência dos sábios. Precisamos enfrentar os nossos próprios demônios e os nossos próprios sentimentos, pois só assim sairemos fortalecidas o bastante para seguir em frente.

Lydia Bennet é uma personagem cativante e que domina cada página do livro, do início ao fim, com a sua intuição, a sua perseverança e, acima de tudo, com a sua autenticidade. Todas nós temos um pouco de Lydia Bennet, pois temos as nossas inseguranças e estamos em constante busca do nosso lugar no mundo, da nossa missão.
“Tudo o que sou é resultado dos meus fracassos e dos meus sucessos. Das minhas tentativas e dos meus tropeços. Aprendi que, para se reerguer depois de um fracasso e seguir em frente, você precisa reconhecer que fracassou, para começar.” 
O livro é todo trabalhado a partir do ponto de vista da nossa protagonista, mas os pensamentos dos demais personagens também são bem apresentados, a partir das suas expressões e dos seus posicionamentos. A única questão que poderia ser melhor trabalhada é a relação dos pais com a própria Lydia, visto que tão vínculo ficou um pouco vazio. Além disso, gostaria que Lizzie e Dacy tivessem aparecido mais e abrilhantado o enredo com a sua sagacidade típica.

Em As Épicas Aventuras de Lydia Bennet, você encontrará uma protagonista jovem forte, determinada e que nos mostra que não é apenas um acontecimento que define o restante da nossa vida, pois apenas nós somos capazes de definir quem nós somos e quem queremos ser.

Classificação: 4 estrelas. 

2 comentários:

  1. Beeeel, querida!
    Eu precisava ler sua resenha, sabe?
    Eu tenho o livro um aqui na estante parado. Nem devo ter chego a pagina 150, mas não aguentei. Larguei e não consigo tomar coragem para voltar a ler.
    Acho que precisava desse incentivo. 2017 será o ano, prometo!
    Beijos e já estou com saudades

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    1. Aleeeee,
      Espero que o seu retorno à leitura seja emocionante e cativante, pois essa foi uma das adaptações que mais gostei. Espero que a nova versão do clássico da Jane Austen e essa continuação cativem o seu coração. Ficarei na torcida.
      Também estamos todos com saudades.
      Beijooos no coração,
      Bel <3

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