[Resenha] Princesa das Águas

Oi, Pessoal, tudo bem?

Na resenha de hoje, vamos falar sobre o livro “Princesa das Águas”, que foi escrito por uma das minhas escritoras nacionais favoritas, que é a Paula Pimenta.


Para quem não sabe, a Paula foi uma das escritoras do “Livro das Princesas” e, juntamente com outras três escritoras, ela nos apresentou uma releitura dos contos de fadas que nós tanto conhecemos, em uma perspectiva moderna. O “Livro das Princesas” foi a porta de entrada da Paula nessa visão moderna das nossas princesas, o que acabou levando à publicação de Cinderela Pop, Princesa Adormecida e, recentemente, Princesa das Águas. 


No livro Princesa das Águas, vamos encontrar como figura feminina principal (e nossa Princesa moderna também!) Arielle Brotel, que tem 16 anos, que é nadadora profissional, filha caçula de uma grande família e é considerada a promessa de medalha do Brasil nas Olimpíadas. Por ser a filha caçula de uma grande família e por ter escolhido a natação como paixão esportiva, Arielle vive sob uma intensa proteção paternal e regras rígidas de treinamento e condicionamento físico. Logo, tudo o que ela quer é ser livre e independente.

Tudo acaba saindo dos eixos da sua vida completamente cronometrada quando, ao viajar para o Grand Prix da Suíça, Arielle acaba salvando o famoso tenista Enrico Eggenberg de um acidente que poderia ter custado a sua vida. Enquanto Arielle salva a vida do tenista, Enrico é responsável por roubar algo até então mantido em segurança na vida da nossa princesa das águas: o seu coração. Apesar de ter salvado o atleta, a identidade de Arielle ainda é considerada uma incógnita, visto que, por estar no local errado e na hora errada, ela acaba saindo da cena do acidente antes que seja descoberta.

As semanas passam, mas o novo sentimento e as novas emoções que Enrico despertou em Arielle permanecem cada vez mais intensos. As Olimpíadas se aproximam e, como prévia desse grande evento, alguns atletas irão participar de uma série de programas para incentivar o engajamento do público, durante os jogos olímpicos. Entre esses programas, vamos ter a Linguagem do Amor, em que um atleta masculino deverá ser cortejado por várias atletas até que ele escolha quem irá namorá-lo. Contudo, é importante lembrar que esse cortejo só pode ocorrer através de gestos e mímicas, ou seja, sem palavras envolvidas. 

“Às vezes, o nosso coração resolve tomar as rédeas da nossa vida e só nos resta aceitar...”
Como já dizia Shakespeare, o curso do amor verdadeiro nunca foi tranquilo, e isso não será diferente para Arielle e Enrico, que enfrentarão obstáculos maiores do que a ausência de palavras para que possam concretizar o seu amor.

O livro “Princesa das Águas” é narrado em primeira pessoa, onde podemos mergulhar em todos os pensamentos da nossa nadadora/sereia e nos deparar com os seus sentimentos por Enrico e pelas próprias pessoas que a rodeiam. Entre alguns capítulos, podemos encontrar matérias de jornais relacionadas ao enredo, matérias exclusivas do Blog da Belinha e alguns e-mails e mensagens trocadas por nossos personagens. 



Desde a primeira página do livro, podemos perceber que a Arielle tem um sentimento muito grande de culpa em relação à morte da sua mãe e que, por ser muito parecida física e musicalmente com ela, que foi uma cantora bastante famosa, acaba buscando afastar os indícios dessas semelhanças para não fazer o seu pai, principalmente, sofrer.

Por ser uma promessa nacional no esporte, a nossa princesa das águas acaba sendo vítima de muita pressão pelo seu técnico, pelos seus patrocinadores e pela própria atmosfera pré-olímpica. Assim, como uma boa esportista pressionada e uma boa filha superprotegida na adolescência, Arielle almeja encontrar a liberdade e toma algumas atitudes, um tanto quanto, desregradas.

Arielle Brotel é a típica personagem ingênua, que sempre acredita no melhor das pessoas e que, por temer ferir as pessoas mais importantes da sua vida, acaba não mostrando os seus reais desejos e paixões. Ao longo do livro, podemos perceber que a nossa princesa moderna ainda está descobrindo quem ela realmente é e ainda está aprendendo a lidar com as consequências das suas escolhas. Arielle ainda é muito insegura quanto a sua imagem e às suas ações, o que a acaba tornando dependente da opinião alheia e a torna vítima fácil das falsas amigas.

“Será que eu me conhecia o suficiente ? Como sabia quem eu era de verdade se a vida inteira fui criada praticamente em um aquário, sem ter conhecimento que existia um oceano do lado de fora? O que será que o mundo reservava para mim ?

Enrico Eggenberg, o nosso protagonista lindo e maravilhoso de 20 anos, é um atleta competente, esforçado, submetido sempre à crítica da mídia e cativante, seja pela sua beleza física ou pelo seu jeito de ser. Gostei muito do nosso protagonista masculino por ser autoconfiante, mas também por ser uma pessoa capaz de rever seus erros e ter um jeito sensível de ser.

Ainda que seja, teoricamente, um personagem secundário, o melhor personagem desse livro foi o Lino, que é o melhor amigo da Arielle. O Lino é aquele tipo de amigo que você considera como irmão mais velho, sendo ele protetor, amoroso, perspicaz e que sabe o momento certo para dar aquela boa e velha “puxada de orelha”. 


Uma das coisas que eu mais gosto, quando leio um livro, é saber em quem eu posso depositar a minha cota de ódio literário. Se eu não conseguir identificar logo o antagonista, ao longo do enredo, passo o livro todo desconfiada com todo mundo. Logo, o que me deixou bastante satisfeita, mesmo sendo uma releitura, foi saber com quem eu ia bater de frente, que, no caso, foi a Sula. Pessoal, que antagonista foi essa? Desejei que ela queimasse no fogo da Inquisição, durante todo o livro. Haha.

Um dos aspectos mais legais do livro foi poder conhecer um pouco mais da família Brotel, tanto do pai quanto das cinco irmãs da Arielle, que possuem juntas uma banda super famosa. Por mais que eles sejam tidos como super protetores, o laço afetivo é muito forte e achei que eles se apresentam compreensivos e autoritários na medida certa.

Um aspecto muito interessante dos livros da Paula Pimenta, nesse universo de princesas e releituras, é que há uma intertextualidade muito forte entre as histórias. Encontramos muitas das princesas que já foram e que serão trabalhadas, na trama de Princesa das Águas e nos livros anteriores.

Por fim, pode-se dizer que Princesa das Águas é aquela releitura cheia de romance, de imprevistos e que nos deixa com um sorriso bobo no rosto por nos lembrar do quanto os sentimentos são intensos na adolescência e como os amores, quando genuínos, possuem a força necessária para superar os obstáculos e carregam a leveza e a serenidade para os enamorados. 

Classificação: 4 estrelas.

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