[RESENHA] - Perdido em Marte, de Andy Weir

E se, de repente, você acordasse sozinho num local desconhecido e sem esperanças de sobrevivência, o que faria? Em "Perdido em Marte", o astronauta Mark Watney se vê abandonado no planeta vermelho após uma forte tempestade de areia forçar seus companheiros a abortar a missão Ares 3. Em 2015, "Perdido em Marte" ganhou um filme de mesmo título – e extremamente fiel ao livro! –, protagonizado por Matt Damon e dirigido por Ridley Scott. Confira o trailer abaixo:

A missão Ares 3 levou seis astronautas para Marte a fim de coletarem amostras de rochas marcianas. Entretanto, após Mark Watney ser dado como morto por seus colegas de tripulação ao ser atingido por uma construção na tempestade de areia, a missão é abortada e os cinco astronautas restantes voltam para a nave Hermes. Watney acorda em Sol 6 – forma como eles contam os dias na missão – e se vê sozinho em Marte.

No livro, acompanhamos a angustiante luta de Mark pela sua própria sobrevivência, pois todos os suprimentos e equipamentos foram feitos para durar o tempo da missão e mais alguns dias. Utilizando todo seu conhecimento como botânico e engenheiro mecânico, Watney tentará criar meios de sobreviência até que a próxima missão, a Ares 4, chegue ao planeta vermelho e o resgate, já que todos os equipamentos de comunicacão foram danificados durante a tempestade, e contatar a NASA sobre sua situação é impossível nas condições em que ele se encontrava.
"Se o oxigenador pifar, eu sufoco. Se o reaproveitador de água pifar, eu morro de sede. Se o Hab se romper, eu meio que implodo. Se por algum milagre nada disso acontecer, vou acabar ficando sem comida."
Watney lida com sua situação de maneira muito engraçada. Sarcástico e cheio de humor, ele brinca com sua desgraça na maior parte do tempo. Isso torna a leitura extremamente divertida e leve. Entretanto, nos momentos certos, o astronauta deixa transparecer todo o seu desespero. No decorrer do livro, vamos sentindo e vivendo junto com ele toda aquela situação, ora cômica, ora sufocante.
Para mim, o diferencial da leitura de "Perdido em Marte" está na engenhosidade de Mark Watney. Andy Weir soube, com propriedade, tratar de assuntos científicos ao longo de toda a leitura. São milhares de temas físicos, químicos, matemáticos e biológicos – com ênfase na botânica – em cada parágrafo do livro. Tudo o que Watney tinha que fazer para sobreviver é explicado, desde como conseguiu cultivar sua plantação de batatas às adaptações que teve que fazer em uma nave para poder sair a salvo. Essa característica do livro pode assustar no começo, mas todas as explicações – que não medem termos ou complexidade – são possíveis de entender.
"Eles disseram que, uma vez que se cultiva plantas em algum lugar, você o “coloniza”. Então, tecnicamente, colonizei Marte. Toma essa, Neil Armstrong!"

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