[Crônica] Prêmio de Mega-Sena


É engraçado observar como a forma de se encarar um relacionamento ou a solteirice vai mudando, ao longo dos anos e das gerações também. Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de romances de época e uma das coisas que mais me chamam atenção nesses enredos, além da época em si, é a forma como a sociedade trata esses dois assuntos.
O casamento e a busca por um relacionamento sério sempre foram objetivos bastante enraizados na lista de desejos das pessoas, principalmente das mulheres. Além de representar a garantia de um futuro confortável e seguro, ser cortejada e assumir um compromisso para com o outro eram uma forma de se mostrar desejada, bonita e inserida dentro dos padrões impostos, ou seja, “casável”.
Os anos foram passando e, por mais que novas formas de relacionamento ou envolvimento com o outro fossem surgindo, a solteirice e o conforto em permanecer sozinho ainda continuaram a ser vistos, por uma grande maioria, como um “estado civil” causador de preocupação e de tristeza. Estar sozinha ou sozinho acaba se transformando, muitas vezes, em carência, onde as pessoas buscam preencher o seu vazio interior com a aceitação do outro.
Todos nós sabemos. Por mais que as fotos tenham mil filtros e que realcem o nosso ensaiado sorriso, a maioria de nós está completamente sozinho nessa aventura chamada Vida. Sentimo-nos só várias vezes ao dia, ainda que esbanjemos bons passeios na conta do Instagram. Buscamos consolo nos ombros errados e forçamos o nosso coração a bater mais rápido por alguém que, nem ao menos, sabe qual é o nosso autor favorito.
Estar apaixonado é convidativo e ter alguém ao nosso lado é o número um da lista de muita gente por aí. Todos, no fim, estão prontos para se vender por alguém que não nos merece para não ter a companhia do provável grande protagonista da sociedade moderna, a solidão.
Ah, minha amiga, se você soubesse que você não está sozinha nisso ou se pelo menos conseguisse perceber isso. Não me refiro ao fato de outras pessoas estarem na mesma situação que você, pois, é claro, que o mundo está repleto de pessoas com essa sensação. O que quero dizer é que você não está sozinha pelo fato de ter a melhor companhia que alguém poderia encontrar: você mesmo.
Mergulhe para dentro de si e crie uma conexão forte com a sua alma, com o seu interior. Apaixone-se pelas suas qualidades e pelos seus defeitos, é claro. Sinta prazer de estar consigo mesma e aprenda a valorizar cada momento em que você pode ser quem realmente é. Antes de buscar a aceitação de alguém que nunca vai te compreender totalmente, entre em um relacionamento sério com você mesmo. Essa relação vai ser a mais duradoura que você irá viver.
Em terra de pessoas vazias com perfis lotados, ter você mesmo como companhia é prêmio de Mega Sena. Não são milhões que você irá conquistar, mas uma boa dose de amor próprio vale muito mais do que tudo isso.

Imagem: Rogéria Breves

2 comentários:

  1. Continuando assim, vai tornar-se uma grande escritora!Gostei muito do final!Terminamos sendo premiado ao ler sua crônica! Valeu Super Sobrinha!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigada, Lílio ! Fico muito feliz que tenha gostado e que esteja acompanhando o Blog. Beijos <3 .

      Excluir