[Crônica] De leitora para leitora


Você sabe o que significa passar mais de quatro horas, no chão de um shopping, na expectativa de ver a sua escritora favorita? Você sabe o que é sentir o seu coração acelerar, quando o livro mais esperado do ano é lançado? Ou receber uma notificação que a sua inspiração literária comentou na publicação que você fez especialmente para ela? Eu sei como é me sentir assim. Na verdade, nós, leitores, sabemos.

Escrevo essa crônica um dia após o lançamento de Princesa das Águas, da escritora Paula Pimenta, em Fortaleza. Lançamentos literários sempre são ocasiões interessantes a ser analisadas. Passamos horas nas filas, conversamos calorosamente com pessoas que nunca vimos na vida, não perdemos a atenção por nada e saímos destruídas fisicamente. Contudo, saímos completamente maravilhadas por dentro e com aquela sensação de dever cumprido.

E, na verdade, esse misto de emoções representa muito bem o que significa a literatura para nós. Rimos, choramos e torcemos por personagens que aparecem de repente e conquistam o nosso coração. Fazemos suposições, procuramos pistas em todas as páginas e torcemos por um final feliz. Pouca gente compreende, de verdade, o que significa ser leitor. Choramos pelo invisível, torcemos pelo impossível e nos deliciamos com o improvável.

Escolhemos ler, porque buscamos mais do que o nosso mundo pode nos oferecer. Queremos o frio na barriga do encontro inesperado, queremos poder viajar para outros lugares e para outras épocas, queremos nos descobrir em cada página e, assim, nos reinventarmos toda vez que relemos algo. O universo da literatura nos oferece a cor e a mágica que, muitas vezes, faltam à vida real. Aqueles enredos ali expressos conseguem trazer a leveza que falta hoje nas nossas relações e, inexplicavelmente, fazem-nos acreditar que novos recomeços podem acontecer e que segundas chances existem sim.

A partir do momento que nos deixamos mergulhar em diferentes histórias e nos permitimos conhecer intimamente novos personagens, tomamos para si a chance de poder nos entender e decifrar alguns mistérios da nossa alma e das nossas ações. A literatura consegue despertar, em nosso coração, a sensibilidade e o tato que, muitas vezes, nos faltam.

Em um cenário de tanta desconfiança e de tanta insegurança, os livros nos aproximam e nos apresentam pessoas incríveis, eles conseguem construir pontes ao invés de muros.

Ainda que os livros sejam esse incrível instrumento de descobrimento e autoconhecimento, não podemos deixar de lado a nossa vida “literal”. Agora, de leitora para leitora: devemos torcer para nós também, que somos as personagens da vida real.

Inspire-se na coragem da sua protagonista favorita, perca-se no olhar de outro alguém, escreva e reescreva o enredo da sua vida e siga o maior conselho que os livros já me ensinaram: seja autêntica.

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