[Resenha] O Desapego Rebelde do Coração

Oi, Pessoal, tudo bem ?


Na resenha de hoje, vamos falar de um livro nacional muito aguardado pelos admiradores das obras da escritora Bianca Briones. Assim que concluímos o livro que nos apresenta a maravilhosa, sofrida, demorada, gratificante história do Bernardo e da Clara, ficamos em uma dúvida danada do que aguarda o nosso coração de leitor em O Desapego Rebelde do Coração e, então, aqui estamos.
No quarto volume da série Batidas Perdidas, a escritora Bianca Briones nos transporta para a trama que envolve Branca, Rodrigo e Lex em um jogo de encontros, desencontros e surpresas do destino. Para mim, a Branca e o Rodrigo sempre foram os personagens mais carismáticos da série. Assim, por mais que eu tenha postergado a leitura desse volume, estava bastante ansiosa para saber o que esses três iriam aprontar com a gente.



O livro começa nos jogando no meio de mais uma crise no casamento da Branca com o Lex, que, nos últimos meses, passaram a se desentender por motivos frívolos. Sem a sincronia perfeita que ambos apresentavam no começo da relação, Lex embarca em mais uma impulsividade tomada por Branca: o divórcio

Branca então passa a mergulhar pesado no trabalho e a viver no modo Carpe Diem, curtindo todo mundo, mas sem se apegar a ninguém. Lex viaja para o Rio de Janeiro com o objetivo de estabelecer mais uma balada na cidade, negócio esse fruto da sociedade entre o próprio Lex, o Rafa e o Rodrigo. Falando em Rodrigo, este continua defendendo a sua personalidade de autoimunidade, não se apegando a ninguém por mais de uma noite.

Por mais que fosse considerado um “moleque” para Branca, os encontros e os desencontros provocados pela vida (e pelas baladas também!) vão aproximando Branca e Rodrigo, onde um vínculo entre ambos vai sendo criado, ainda que de forma confusa e intensa para eles. Como uma boa novela mexicana, quando esse envolvimento amoroso começa a se desenrolar, Lex retorna a São Paulo, uma bebê aparece inesperadamente na vida do Rodrigo e as feridas já abertas pela vida, em cada um deles, parecem sufocar cada um em seus próprios conflitos internos. 



Assim como os livros anteriores, os capítulos são alternados entre os três protagonistas centrais (Branca, Rodrigo e Lex) e se iniciam com trechos de músicas nacionais e internacionais, que, de certa forma, são capazes de auxiliar o leitor na descoberta do que cada capítulo vai relatar.

Desde o começo da série, sempre torci para que a Branca conseguisse enxergar o Rodrigo como o único capaz de merecer o seu coração, mas o que posso dizer é que, ao longo desse livro, meus conceitos foram vistos e revistos muitas vezes.

A Branca é, de longe, uma personagem feminina forte e que busca passar essa impressão também para todos aqueles que a rodeiam. Independente, dona de si e profissional competente, a Branca reúne também uma pitada de doçura, devoção às pessoas que ela ama, autoritarismo e, é claro, vulnerabilidade mascarada. Sim, ao longo do livro, vamos descobrindo uma Branca que teme falhar, que não aceita muito bem a derrota e que se concentra no problema dos outros para não se debruçar sob os seus próprios conflitos e perceber que, no quesito amor, ela é uma confusão total. 

“Acho que não conhecemos alguém completamente até ter a exata noção da quantidade de dor que essa pessoa carrega.”- Página 89

O Rodrigo é, de fato, uma caixinha de surpresas. Por trás dos seus sorrisos, da sua devoção à família e da sua vida completamente intensa nas festas e na curtição, ele esconde o quanto a vida já o machucou. Sempre guardando as suas dores para si, Rodrigo opta por não pensar muito nas consequências para que os seus conflitos internos não o mergulhem em tristeza.

Vivendo de forma bem intensa, a natureza pegadora e, muitas vezes, irresponsável do Rodrigo me fizeram questionar se ele era realmente o personagem para quem eu torcia. Só que resignação não é uma palavra existente na vida de Rodrigo Villa e, em cada adversidade que a vida inseriu em seu destino, ele foi capaz de se refazer e de se mostrar apto a fazer aquilo que todos temiam ser impossível para alguém como ele: amadurecer.

E, com isso, eu passo a questionar se a Branca seria realmente uma boa escolha para alguém como ele, visto que algumas das atitudes dela passam a me irritar bastante, já que ela não consegue deixar de ver, majoritariamente, as situações apenas pelo seu ponto de vista.

Por outro lado, temos o Lex, um personagem a qual eu não morria de amores, mas que foi ganhando o meu respeito por ter decisões maduras, por ser sensato e por ser seguro de si, sem ser insensível aos dilemas e aos problemas daqueles que estavam a sua volta. Depois que o conheci melhor, fiquei na torcida para que ele encontrasse alguém realmente capaz de amá-lo e merecer a sua superproteção e o seu carinho.



“Se a vida conspirou para que tudo desse errado, me nego a aceitar de braços cruzados. Quando tudo parece dar errado, lutar ou ceder é o que determina quem você é. E eu luto.”- Página 214

Um dos aspectos que eu mais gostei nesse livro, realidade esta presente em cada livro da Bianca, é que temos personagens aqui aparentemente fortes e bem construídos que, ao longo do desenvolvimento da história, vão se despindo das suas inúmeras camadas e vão mostrando os quão vulneráveis e humanos são. E o interessante é que, a partir desses conflitos internos e dessas cicatrizes, eles vão se fortalecendo cada vez mais e vão mostrando que podemos tirar sempre coragem dos momentos mais improváveis, principalmente se contarmos com a nossa família, com o apoio e as “puxadas de orelha” dos nossos verdadeiros amigos.

Outro aspecto importante que a trama do livro traz ao leitor é que, muitas vezes, nós somos os maiores responsáveis por sabotar a nossa própria felicidade. O amor é um jogo perigoso e, ainda que ele seja capaz de machucar, ele não destrói, ele cria. Nossos personagens aqui buscam se mostrar autoimunes por temerem sair com mais cicatrizes e por sentirem medo de que o outro realmente possa ver o seu lado vulnerável. Contudo, eles percebem que só quando amamos, criamos vínculos e permitimos que o outro nos veja por dentro, estaremos realmente vivendo.

O Desapego Rebelde do Coração, assim como os demais livros da série, possuem uma leitura fluida e bastante rápida. A partir do momento que você dá início à leitura, você não consegue mais parar. Então, quem é o seu favorito ? Lex ou Rodrigo ?

Classificação: 4 estrelas :)

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