[RESENHA] A História de Malikah

Oi, Pessoal, tudo bem?

Quem me acompanha aqui sabe que a minha primeira resenha postada foi do livro “O Amor nos Tempos do Ouro”, da escritora nacional Marina Carvalho. O livro é, na verdade, um verdadeiro mergulho na própria história do Brasil, que foi brilhantemente mostrada por essa escritora tão querida. Agora, em “A História de Malikah”, vamos conhecer um pouquinho mais da história de dois personagens secundários que chamaram a nossa atenção no primeiro livro.

Antes de tudo, gostaria de dizer que a edição do livro está incrível e que a Editora GloboAlt, mais uma vez, se superou na diagramação e na arte da obra. É nítido o capricho e a atenção que foram destinadas para o livro e isso torna a obra ainda mais grandiosa e gostosa de ler.

Em “A História de Malikah” vamos conhecer as profundezas e os segredos da alma, do passado e do coração de Malikah, uma personagem extremamente forte, determinada e empoderada que conquistou o meu coração no livro anterior. Malikah, assim como os demais africanos escravizados no Brasil, foram retirados da sua terra à força e trazidos para o trabalho braçal, forçado e desumano em várias áreas do Brasil, principalmente no período do ouro.

Nessa obra, somos presenteados com dois olhares diferentes sob Malikah: em determinados capítulos, vamos acompanhar a menina ainda ingênua e jovem que ela foi um dia, enquanto que os outros já nos trazem a Malikah Mulher, Mãe e Adulta que nós já conhecíamos de vista.

Malikah cresceu dentro da Fazenda Real, que é administrada pelo horrendo e inescrupuloso Euclides de Andrade e, desde cedo, sentiu na pele as consequências do pior que o ser humano pode oferecer. Sou mãe morreu diante dos seus olhos, os seus sonhos foram esfacelados ainda no navio negreiro e quanto mais ela cresce, mais ela tem que lidar com o olhar de cobiça dos outros homens. Então, a figura de Henrique surge para Malikah (e pra gente também) como uma espécie de esperança. Como uma luz.
“A Esperança é o pilar do mundo.”
Ainda que seja filho de Euclides, Henrique carrega dentro de si a bondade e a luz herdadas de sua mãe. Ele tem um coração puro e, por mais que o mundo exija dele uma posição cruel, ele sabe ser leveza e serenidade, ele sabe aceitar e, acima de tudo, ele sabe respeitar Malikah. A verdade é que conhecer o menino que Henrique foi um dia se apresentou como uma grande ideia de Marina, pois nos aproximou ainda mais de quem os personagens verdadeiramente são e da bela e difícil história de amor que nasce entre eles.

Do outro lado da história, vamos nos deparar com um Henrique que tenta se redimir de todos os seus erros, que busca mostrar o quanto mudou e como o seu coração está caminhando para reencontrar o menino que ele foi um dia. Mas a Malikah de agora não é tão mais flexível, ela já tem um coração calejado e mais uma pessoa para proteger: Hasan, o fruto proibido do seu amor e da sua relação com Henrique. E, para completar, não só eles dois, mas também todos os moradores da Quinta Dona Regina terão que lutar contra a fúria e a vingança silenciosa de Euclides da Cunha.

Já deixei bem claro que admiro muito Malikah e esse livro só vem para ressaltar ainda mais a coragem dessa mulher, que defende com unhas e dentes aqueles que ela ama. Contudo, a nossa protagonista também tem um lado bastante impulsivo, pois ela não sabe lidar direito com os sentimentos que Henrique desperta nela. Ela tem medo e é justamente esse sentimento que aflora a sua vulnerabilidade, o que a torna ainda mais humana.

Em “O Amor nos Tempos do Ouro”, nós conhecemos um Henrique vazio e quase sem escrúpulos. E foi justamente por causa dessa imagem que eu me surpreendi tanto, ao ler esse novo livro. Eu consegui enxergar como Henrique estava tentando se redimir, como estava tentando ser melhor do que ele jamais foi. A química entre eles é palpável e é impossível não torcer para esses dois ficarem juntos, pois o amor entre eles é como se fosse esperança nos dias de incerteza, de um período tão controverso da história do Brasil.
“Algo se quebrara ali, rompendo a amizade que um dia os mantivera unidos como irmãos. Será que o destino preparava algo maior entre eles?”
Além disso, precisamos ressaltar que Marina conseguiu mesclar muito bem as cenas de pureza e de sensualidade do nosso casal protagonista. Os personagens secundários também são fundamentais, pois eles trazem o seu carisma clássico e a sua fortaleza para a construção dessa trama.

A História de Malikah” é uma obra não só sobre o amor entre duas pessoas, mas sobre o poder que esse sentimento tem para nos libertar e para nos oferecer a esperança de dias melhores. Malikah e Henrique nos ensinam que amar é, acima de tudo, perdoar e entender que, por mais tortuosa que possa ser a caminhada, ser for para o nosso bem tudo o que nós precisamos e acreditamos irá se concretizar.


Classificação: 5 estrelas (Favorito)

[RESENHA] Minha Vida Fora de Série-4°Temporada

Oi, Pessoal, tudo bem?

Depois de um longo e tenebroso inverno, FINALMENTE estou de volta para fazer a resenha mais esperada por mim, nesse ano. Sim, estou falando de Minha Vida Fora de Série-4°temporada, que finalmente foi lançada pela Editora Gutenberg e que guarda um enredo narrado pelo nosso Rodrigo.

Antes de começar a falar um pouquinho sobre as minhas impressões sobre a história, preciso dizer que a edição está maravilhosa! A capa foi muito bem escolhida e pensada, pois ela consegue representar exatamente esse novo Rodrigo e as mudanças pelas quais ele está passando. Além disso, a trilha sonora do livro também está incrível, estando inclusive disponível no Spotify. Só faltei desmaiar quando vi que tinha “Close to You”, na trilha. <3

A 4°temporada de Minha Vida Fora de Série foi, de longe, o livro mais aguardado entre todos os outros, pois, como todo mundo já sabia, o Rodrigo estaria separado da Priscila e teríamos que segurar a ansiedade para tentar descobrir o que aconteceria. O livro começa com o Rodrigo chegando em Toronto para realizar alguns shows por lá. Contudo, o caminho percorrido pelo Rô em Toronto é contado juntamente com flashbacks do momento da sua chegada em Vancouver, quando ele está muito mal depois do término e resolve ir para Vancouver, tentar um recomeço por lá. Nova faculdade. Novo país. Novos ares. Nova vida.

Vamos assim acompanhar dois Rodrigos: aquele que ainda está tentando se adaptar à nova rotina em Vancouver, com os irmãos super protetores (e também interesseiros) à sua cola e que está tentando fugir das lembranças do término difícil com a Priscila. Ao mesmo tempo, temos um Rodrigo ainda mais independente e ativo chegando em Toronto, pronto para perceber e agarrar as grandes oportunidades que estão esperando por ele bem ali.
“Expliquei que nunca esquecemos alguém totalmente. Mas que nós superamos. Que às vezes nos lembramos do passado com saudade, mas um dia acabamos nos dando conta de que o presente é tudo que temos.”
Nos primeiros momentos do livro, sofremos junto com a Rô a cada lembrança da Priscila e a cada tentativa sua de tentar se reencontrar, nas esquinas e nas chances oferecidas por Vancouver. Mas é justamente aí que reside o segredo do nosso protagonista: ele percebe que ali, naquela cidade, ele não está seguindo os seus próprios passos, mas aqueles que já foram traçados pelos seus irmãos. E, quando ele viaja para Toronto, ele consegue enxergar a sua grandiosidade como pessoa e como profissional, pois as pessoas o conhecem não pelo seu parentesco com o João Marcelo ou com a Sara, mas pela sua habilidade em tocar, em cuidar dos animais ou em cuidar das pessoas.

Ele está (finalmente) em casa.

Em Toronto, vemos o Rodrigo renascer em todos os aspectos, principalmente no de entender que ele não vai conseguir esquecer a Priscila. Afinal, ela foi uma parte bem importante e bem grande da sua vida. Eles cresceram juntos, amadureceram, mudaram e, acima de tudo, eles se amaram. Assim, por mais doloroso que tenha sido o término, os bons e os maus momentos ficaram e eles ajudaram a construir o Rodrigo de hoje. Ele não tem que fugir do seu passado, ele precisa apenas aceitá-lo.

O que mais me chamou atenção aqui foi o fato do nosso protagonista estar tão aberto a mudanças, não apenas no sentido amoroso, mas também no acadêmico. Ele vai fazer muito sucesso com a sua banda e com a sua música, mas isso não precisará definir quem ela vai ser ou o que ele vai cursar na faculdade. Conhecemos aqui um lado ainda mais generoso e altruísta do Rodrigo. O amor dele pelos animais é inspirador e esse amor nos mostra que, na vida, nós podemos ser muitas coisas. Não é apenas uma habilidade que nós temos que vai definir quem nós realmente somos.

Agora, vamos falar de uma das partes mais esperadas: SIM, haverá outra garota e, como não poderia ser diferente, ela vai amar e vai perceber o quão incrível o Rodrigo é. Confesso que, no começo, não suportava a ideia de uma nova pessoa no coração do Rodrigo, mas o que posso dizer é que ela foi essencial para a guinada na vida do nosso poeta favorito. Ela também tem as suas cicatrizes, um passado difícil e lida com isso com muita serenidade, o que a torna ainda mais especial. Contudo, meu coração de leitora ainda torce com todas as forças para a Pri, porque essa sim tem emoção de sobra.
“Às vezes, a nossa vida dá mil voltas e acaba no mesmo lugar. Mas, quando olhamos para trás, percebemos que esse desvio fez toda a diferença. Sem ele não aprenderíamos tanto, não passaríamos por situações que acrescentariam mais conteúdo à nossa existência.” 
Os personagens secundários são maravilhosos e fundamentais para o desenrolar da trama. Os seus dilemas e as suas visões de mundo trazem ainda mais vivacidade para a trama. Deixo aqui um destaque especial para a Antonella, que tem um jeito super doidinho, descontraído e que rasga mesmo as verdades que o Rodrigo precisa ouvir. A-M-E-I a Antonella, mesmo que, às vezes, ela precise de uma boa dose de juízo na cabeça.

Agora, meus caros amigos, preparem o coração, porque a cena da aparição da minha, da sua, da nossa amada Priscila é de tirar o fôlego e para parar o coração. Confesso que essa cena e o seu desenrolar me arrancou boas gargalhadas, porque a confusão que toma o Rô é maravilhosamente boa, por mais que tenha uma parte muito dolorida também. Ainda não superei. O que podemos fazer se essa garota é realmente fora de série?

De longe, esse foi o MELHOR livro da Paula Pimenta! O mais maduro, o mais coerente e o que me prendeu mais em toda a série. A 3°temporada tinha sido a minha favorita, mas essa roubou o meu coração, pois me mostrou as várias facetas de um personagem que eu já jurava conhecer. Além disso, a obra me ensinou muito sobre a capacidade que temos de nos reinventar.

Minha Vida Fora de Série-4°Temporada” vai nos presentar com a visão do Rodrigo, num momento de grandes mudanças na sua vida, tanto por dentro como por fora, e vai nos ensinar que a nossa vida pode ser realmente fora de série, basta que tenhamos a ousadia de nos perdoar, de aprender com o nosso passado e de arriscar o que temos pela nossa felicidade.

Classificação: 5 estrelas (e, se pudesse, dava uma constelação toda)




[RESENHA] Mulheres Incríveis

Oi, Pessoal, tudo bem?

A resenha de hoje é muito especial, pois estou trazendo um livro que traduz muito bem o empoderamento feminino e a grandiosidade de ser mulher. O livro da vez se chama “Mulheres Incríveis” e foi lançado, recentemente, pela Editora Astral Cultural. Não conhecia esse livro e quase enlouqueci quando o encontrei na Livraria Nobel, em Cotia, São Paulo. Vamos lá começar!

“Mulheres Incríveis” vai nos apresentar a história de 44 mulheres que foram extraordinárias à sua maneira, que fizeram ou que continuam fazendo a diferença na sua área de atuação. Encontramos aqui a história de mulheres de todos os continentes, que lutaram pelo lugar da mulher na sociedade, pelo fim da desigualdade de gênero e por um futuro digno para todos nós.

O livro não apresenta apenas a história de mulheres reconhecidas mundialmente. Fazemos aqui um verdadeiro passeio pela história da humanidade e nos deparamos com personalidades femininas, muitas vezes, desconhecidas aos nossos olhos, mas que foram e continuam sendo fundamentais para a construção de um mundo mais justo.

Viajamos aqui pela Mesopotâmia, pela Ásia, pelo Brasil e por muitos outros países ou continentes e, ao longo das páginas, vamos nos deparando com a história de mulheres ousadas, corajosas e que transformaram o mundo com a sua luta, com a sua causa. São histórias inspiradoras porque são reais e porque nos mostram a dimensão do que somos capazes de fazer, do que somos capazes de mudar, no mundo. E o mais legal é que não encontramos mulheres de apenas uma faixa etária. Temos aqui mulheres de todas as idades.

Além disso, a obra apresenta outro ponto muitíssimo interessante: não encontramos um louvor apenas a mulheres pertencentes aos continentes existentes, mas também àquelas que foram expatriadas, que perderam à força o seu lugar, a sua pátria. E esse é apenas um dos fatos que mostra a preocupação das autoras em incluir todas as mulheres nesse importante espaço literário.
“Não digam que mulheres não podem ser heroínas.”
As ilustrações do livro também estão impecáveis e permitem um maior dinamismo na leitura, visto que trazem cor, vida e simbolismos para a luta dessas mulheres. Sem falar que cada capítulo apresenta frases inspiradoras e relevantes para a formação daquela Mulher Incrível e para a nossa também.

É verdade que cada uma apresenta o seu grau de importância e a sua força sem igual, mas fiquei muito feliz ao encontrar duas mulheres que admiro muito no livro: Malala e Maria da Penha. Ao lermos a história de ambas, que são tão diferentes em idade e que lutam em áreas diferentes, é impossível não se arrepiar e se emocionar com tudo pelo que elas já passaram e com a força que elas tiram de si para defender outras meninas e mulheres que estão na mesma situação.

“Mulheres Incríveis” é aquele livro para se ter na cabeceira da cama, pois nos faz refletir, se emocionar, aprender e, acima, de tudo, lutar pelo nosso espaço no mundo, pelos nossos ideais e por uma sociedade mais justa e que valorize, cada vez mais, os grandes feitos realizados por mulheres.


Classificação: 5 estrelas 

[RESENHA] Casada até Quarta

Oi, Pessoal, tudo bem?

Fazia um tempinho que eu não postava nada aqui no Blog, principalmente por conta da volta às aulas, na minha faculdade. Contudo, venho hoje falar do primeiro livro de uma série que todo mundo está comentando. Recentemente, a Verus lançou a série Noivas da Semana, que possui sete livros e capas incríveis e atrativas. Estava curiosa para começar a ler essa série e aqui estou para falar o que achei de “Casada até Quarta”, da Catherine Bybee.

Em “Casada até Quarta”, vamos conhecer a história de Blake Harrison e Samantha Elliot, que acabam se cruzando quando o nosso protagonista está envolvido na missão de encontrar uma esposa até quarta-feira. Samantha é dona de uma agência de casamentos e vai ajudá-lo nessa missão, mas acaba se envolvendo demais e se tornando a esposa em questão. Contudo, o que era para ser um casamento apenas de conveniência, durante um ano, acaba se tornando uma verdadeira confusão para o coração de ambos, afinal, a atração entre eles é mútua e parece haver ali muito mais do que um mero contrato.

Primeiramente, preciso dizer que não tinha uma expectativa muito alta para esse livro, pois já havia lido outras resenhas e outros comentários e percebido que esta seria uma trama leve, que nos proporcionaria um descanso merecido, após um longo período de ressaca literária. De fato, o livro vai cumprir esse papel. Ele possui uma trama bem desenvolvida, fluida e objetiva. Não há muito aprofundamento nos problemas do passado dos protagonistas ou grandes reflexões, mas ele possui a sua carga emocional, sim.

Para mim, foi uma leitura muito rápida e prazerosa, que me permitiu sentir a felicidade novamente em ler um romance e de saber que tudo ficaria bem no final. Finais felizes têm esse efeito em mim, pois amo um bom clichê nas tramas que trazem um casamento de conveniência no começo e uma união por amor, no final do livro. Além disso, a escritora soube muito bem empregar o lado sensual da relação e dos personagens em si.

Blake Harrison foi um personagem que me conquistou, pois eu amo muito personagens que se mostram donos da situação e que possuem um quê de charme e poder. Dono de uma sagacidade impressionante nos negócios, Blake também consegue nos surpreender com o seu lado mais carinhoso e doce. A forma como a escritora conseguiu balancear tais pontos na sua personalidade me conquistou e me fez torcer para que ele conseguisse encontrar a sua felicidade ao lado de Samantha. Além disso, o seu lado sensual e charmoso não parece algo forçado. É como se você não conseguisse realmente imaginar tal personagem sem essas características.

A Samantha ainda é uma incógnita nessa leitura para mim. Não me entendam mal, mas acho que faltou algo nela, algo que esperei durante todo o livro. No começo, ela se mostra dona da situação, independente e muito segura de si. Mas, ao longo das páginas, ela foi perdendo (pelo menos, para mim) o lado poderoso de mulher de negócios. Queria que a autora tivesse mostrado mais esse seu lado, que foi tão importante para que ela se reconstruísse, após os problemas do passado com o seu pai.
“Isso pode estar meio fora de lugar, mas... quer se casar comigo? Não por causa de um contrato, testamente ou dinheiro, mas porque você me ama e quer ser minha esposa agora e para sempre?”
A verdade é que eu amei a química que nasceu entre os dois protagonistas. É uma relação verdadeira que nasce entre eles, por mais mentiras que os tenha levado até ali. A forma como eles vão aprendendo a lidar um com o outro e a maneira como eles se respeitam me conquistaram. Apesar disso, achei que alguns pontos do passado de ambos mereciam mais explicações e detalhes, pois se torna algo distante e, até mesmo, vazio.

Mesmo que o livro não ofereça grandes reflexões para o leitor, é possível fazer alguns questionamentos a respeito da forma como a Sam é vista, por aceitar uma oferta tão gorda e duvidosa feita por Blake. É possível ver como tal situação parece ser imprópria para Samantha, mas muito aceitável para Blake, afinal, ele é um homem de negócios e não pode perder tal herança. Precisamos parar de tanto machismo para um lado apenas da relação.

De maneira geral, o livro me fez muito bem, pois precisava de algo leve para ler e que me fizesse, ao mesmo tempo, mergulhar na história. Estou muito animada para os outros livros da série, principalmente o segundo livro.

Casada até Quarta” é um livro de leitura rápida, fluida, que não promete muitas reflexões, mas que te faz se envolver num clichê apaixonante e charmoso e torcer por um final feliz. Afinal, quem não gosta que o amor vença no fim?


Classificação: 4 estrelas

[RESENHA] Na Minha Onda

Oi, Pessoal, tudo bem?

Quem me conhece sabe que a Laura Conrado é uma das escritoras nacionais favoritas da minha estante. Com livros fluidos e rápidos, mas que conseguem colocar em debate temas importantes para o crescimento pessoal da personagem e dos leitores, a Laura Conrado sempre me deixa animada com os seus livros novos. E, dessa vez, não foi diferente.

Desde que foi anunciado que “Na Minha Onda” seria o seu novo livro, já estava preparada para me envolver pela história, que, dessa vez, teria uma ligação muito forte com a música. Então, assim que foi lançado o livro, corri para a livraria para comprá-lo.

Na Minha Onda” vai contar a história de Vitória Prata, que é uma cantora muito talentosa e que estourou nas paradas de sucesso há cinco anos, mas que agora tem que lidar com o início do esquecimento pelo show business, com inúmeras dívidas para pagar, com o sucesso imenso da sua ex-parceira musical e com o seu retorno para a casa dos seus pais, na amada Bahia.

Só que Carol Laine, sua ex-parceira musical, vai atrás de Vitória e faz um convite inusitado: ela quer as duas trabalhando juntas novamente e participando de um reality sobre a vida de Carol. Acontece que, ao aceitar tal convite, Vitória voltará a ficar próxima do seu amor de adolescência, o primo de Carol, terá que enfrentar a fama de Carol, os perigos que a cercam, e se verá mergulhada em um mundo em que o ego é uma das atrações principais desse show.

Primeiramente, precisamos ressaltar que a capa e todo o projeto gráfico do livro estão incríveis. Cada capítulo possui uma ilustração diferente, que torna a edição ainda mais charmosa e mais diferente de tudo que Laura já lançou. Além disso, as cores vibrantes da capa, em perfeita harmonia, trazem à tona o calor, a diversidade e a energia que contagia da Bahia.

Vitória Prata, assim como as demais personagens já criadas por Laura Conrado, encontra-se mergulhada numa crise existencial. Ela está no meio de um furacão de emoções, pois ela acredita no poder da sua música e do seu talento, mas, ao mesmo tempo, é cheia de inseguranças sobre o seu corpo, sobre quem ela poderá se tornar e sobre o que será da vida dela, agora que as contas estão chegando e o mundo musical a está colocando à margem desse meio artístico.
“Perdemos muito tempo tentando impressionar o outro, enquanto se abrir para receber o amor é que é difícil.”
Uma das melhores coisas a respeito de Vitória é que ela é gente como a gente. Ela tem dúvidas, inseguranças, está aprendendo a lidar com as derrotas diárias e está tentando encontrar o seu lugar no mundo, pois uma coisa ela sabe: ela tem talento e potencial.

A Vitória tinha tudo para ser uma personagem incrível, pois ela é arretada como os baianos, cheia de energia e saber ir atrás do que quer. Acontece que ela, ao longo do livro, mostrou-se, acima de tudo, invejosa. Eu não consegui sentir a verdade na personagem, que não consegue aceitar bem as conquistas daqueles que a cercam e não consegue entender que o sucesso também tem um preço alto e que nem tudo são flores. Então, vamos acompanhando esse processo de autodescoberta e crescimento interno de Vitória.
“Quando nos amamos é que descobrimos o sentido das nossas vidas. E se permitir ser amada é uma grande prova de amor que damos a nós mesmas.”
A autora, com toda certeza, acertou em cheio ao trazer esse universo enérgico e conturbado do mundo musical/show business para o enredo, pois não mascarou de forma alguma as adversidades, o mundo de aparências e a rotina agitadíssima daqueles que integram esse universo. Ao longo da trama, foi possível perceber como Laura Conrado se dedicou para escrever esse livro, mergulhando em cada peça desse quebra-cabeça.

À medida que vamos adentrando na trama, vamos achando que Carol Laine é a falsa e a superficial da história, pelo que Vitória vai nos mostrando no seu caderninho azul, mas a verdade é que adorei Carol e me senti comovida por todos os conflitos que envolvem a sua vida e por tudo que ela está tendo que enfrentar. Carol nos ensina como o mundo da fama pode machucar também.

“Eu não quero fazer jogos para te conquistar, preciso me apaixonar por mim. Quero saber tudo a meu respeito, sobre os meus sonhos, o que quero para a minha vida e o que vai me fazer feliz. Não posso delegar para ninguém essa função.”
O livro tem romance, mas ele não é, de forma alguma, o foco da história. Lucas, o par romântico da nossa protagonista, é charmoso, sempre presente e muito profissional, mas não é aquele crush literário marcante e envolvente. O romance confere espaço para o suspense, que está presente em quase todos os capítulos e que acaba engolindo as personagens principais para as profundezas de um oceano misterioso (literalmente!). Se você prestar bem atenção, poderá decifrar esse mistério e perceber como as aparências podem realmente nos enganar. Juntei as peças desde o início e descobri que era o vilão (ou seriam vilões?).

Gostei muito da forma como as reflexões sobre amor próprio, sobre determinação, aceitação, amizade e, acima de tudo, honestidade com quem nós somos e com o que estamos sentindo foram trabalhadas no livro, mas acho que o processo de autodescoberta de Vitória aconteceu de forma muito rápida em seu íntimo. Acho que ocorreu de forma muito intempestiva.

Apesar de o livro ter suspense, “Na Minha Onda” também é uma ótima opção para rir e se divertir, afinal, o jeito arretado da Bahia está presente em todas as suas páginas e as trapalhadas de Vitória também conferem leveza ao enredo e nos garantem boas gargalhadas, além de várias referências atuais que são sutilmente introduzidas.

O livro conta ainda com uma playlist no Spotify e com uma música que foi feita especialmente para a trama, que se chama Filme de Amor, e que tem uma letra e um ritmo bem envolventes. Você vai amar!

Na Minha Onda” é o novo livro de Laura Conrado e nos ensina que todos nós fazemos parte de um processo de autodescobrimento. Para enfrentar o mundo lá fora e lutar por aquilo que acreditamos, precisamos, antes de tudo, amar quem nós somos. Precisamos ter resiliência para enfrentar as adversidades e nunca mascarar nossos sentimentos, pois podemos acabar sendo engolidos pelas aparências.


Classificação: 3.5 estrelas