[RESENHA] Razão e Sentimento

Oi, Pessoal, tudo bem?

Conforme vocês devem estar percebendo, estou vivendo uma vibe muito Jane Austen, pois recentemente fiz uma resenha do livro Emma, da mesma escritora. Confesso que da autora eu só havia lido o clássico e famoso “Orgulho e Preconceito”, que gira em torno da relação de Mr. Darcy e Elizabeth Bennet. Apesar disso, sempre tive a curiosidade de conhecer as suas demais protagonistas e os seus célebres enredos, que a fizeram uma escritora atemporal e muito importante.


O livro da vez é Razão e Sentimento, que foi o primeiro livro publicado anonimamente por Jane Austen, em 1811, sendo ele popularmente conhecido como Razão e Sensibilidade. A obra vai girar em torno da vida e dos percalços da Família Dashwood, com especial direcionamento para as irmãs mais velhas da família: Elinor e Marianne.

Em Razão e Sentimento, já adentramos na obra reconhecendo como a mulher possuía um papel secundário, na sociedade da época, visto que ambas descendem do seu falecido pai, mas é para o meio-irmão homem a quem a fortuna se direciona. Logo, com a morte do seu genitor, as mulheres da família Dashwood, a mãe e suas três filhas, passam a ter uma fortuna consideravelmente reduzida e acabam por se mudar para Barton Cottage, um chalé diminuto e aconchegante próximo a Barton Park.

Ainda que a Família Dashwood residente no aconchegante chalé seja formada pela Sra. Dashwood, a mãe, e por suas três filhas, Elinor, Marianne e Margaret, será em torno das duas irmãs mais velhas que a história girará os seguintes desdobramentos do livro. Quando conhecemos as irmãs e os seus temperamentos, logo percebemos que, definitivamente, Elinor representa a razão, enquanto Marianne ilustra bem o sentimento/sensibilidade.

“Não são o tempo nem a oportunidade que determinam a confiança, só a índole o faz. Para algumas pessoas, sete anos não seriam suficientes para solidificar uma amizade, ao passo que, para outras, bastam apenas sete dias.”
Ambas possuem temperamentos distintos e, muitas vezes, antagônicos, pois enquanto Elinor é a fortaleza, nos momentos de tempestade, e a tudo resolve com sensatez, lógica e coerência, Marianne é um verdadeiro vulcão prestes a vivenciar uma erupção. Tal jovem sente tudo intensamente, desde a dor até o amor, e serão essas emoções à flor da pele de Marianne que darão fôlego e agitação aos capítulos seguintes.

A partir do momento que chegam a Barton Cottage, as mulheres da Família Dashwood encontrarão um novo estilo de vizinhança, que possui um estilo rígido quanto às convenções sociais, mas também se depararão com demasiada cortesia por parte da família que propiciou a vinda das damas para o chalé, principalmente no que se refere ao Sir John e a sua sogra, que também são dois intrometidos e casamenteiros.

Ali, nesse novo ambiente e com as lembranças da sua antiga residência, as duas irão vivenciar as desilusões e as desventuras daqueles que buscam encontrar o amor. E, após essa leitura, confesso que foram muitos obstáculos até que tais percalços fossem superados. São muitas reviravoltas!
“Marianne Dashwood havia nascido para um extraordinário destino. Nascera para descobrir a falsidade de suas próprias opiniões e para contrariar, pela sua conduta, suas máximas favoritas.”
Enquanto Emma é um livro mais retilíneo e sem tantas reviravoltas, Razão e Sentimento é um livro que possui vários personagens interligados e cheio de reviravoltas, principalmente do meio para o fim. São muitas personagens femininas aqui presentes e cada uma esbanja um diferente jeito de ser e de sentir. Temos personagens aqui frívolas, inteligentes, intrometidas, emotivas e muito astutas. O mundo aqui gira em torno das mulheres e do que acontece com elas, ainda que a sociedade a colocassem para escanteio, no jogo das convenções sociais.

Jane Austen consegue abordar de forma sutil, na maioria das vezes, de forma irônica inúmeros aspectos presentes nas relações sociais daquela época. Não só a questão da divisão hereditária está em jogo, mas também a forma como os casamentos vantajosos ocorriam e os seus desdobramentos para com aqueles que teriam que viver juntos até o último suspiro. Muitas vezes, não faltava apenas sentimento, mas também respeito do homem em relação a sua mulher, que era escolhida por ser um rosto bonito e não por ter um grau intelectual elevado.

Uma das coisas que mais me agradou e mais me chamou atenção foi o fato de Jane colocar em xeque, por meio da personagem de Marianne, as nossas maiores certezas. É comum sempre defendermos as nossas opiniões e acharmos difícil um dia mudá-las, de forma que julgamos friamente os outros que se contrapõem aos nossos ideais. Mas a verdade é que a vida e as pessoas estão aí para provar que é possível mudar e que, às vezes, os nossos julgamentos são errôneos.

Das duas irmãs, eu definitivamente me identifiquei mais com Elinor, por sempre pensar muito sobre o caráter das pessoas e por sempre buscar a coerência dos argumentos alheios, mas confesso que o livro seria um pouco mais cinza se a intensidade de Marianne não existisse. Ambas nos mostram que, para persistirmos na vida, é necessário ter uma boa dosagem da razão e da sensibilidade, pois só assim teremos força o suficiente para seguir. É preciso ter resiliência.

Razão e Sentimento é um livro que fará você torcer muito pela felicidade das duas personagens principais, que te ensinarão o valor de ter resiliência e de dosar bem os seus sentimentos, além de que despertarão vários questionamentos sobre o papel da mulher, na sociedade da época.


Classificação: 5 estrelas 

The Crown & When Calls The Heart

Oi, Pessoal, tudo bem?

A postagem de hoje está indiretamente ligada ao Universo dos Livros, mas vai abordar duas das minhas séries favoritas de todos os tempos. Eu não costumo acompanhar muitas séries, no Netflix, mas como sou completamente apaixonada pela Família Real, fiquei simplesmente viciada na série The Crown.

Por outro lado, também gosto de série com muito romance e também como muitas reflexões, por isso segui a indicação da minha amiga Alessandra, do Blog Estante da Ale, e também fui conquistada por When Calls The Heart. Por isso, resolvi compartilhar essas duas séries com vocês e as suas respectivas origens.

1.   The Crown (2016)


A série The Crown é baseada na vida da Rainha Elizabeth II, desde o momento da morte do seu pai, o Rei George VI, seguindo assim o curso natural dos acontecimentos do seu reinado até então. A série, que possui um dos orçamentos mais caros da Netflix, intercala os momentos atuais retratados com vários flashbacks da infância, dos ensinamentos do seu pai e do seu passado da Rainha Elizabeth II. Vários momentos importantes para a vida pessoal e para o reinado de Elizabeth são aqui retratados, com maestria e fluidez.

Se a 1º temporada foi focada na construção da vida pessoal de Elizabeth e Phillip como casados, assim como dos seus passos e do seu aprendizado como Rainha, a 2º temporada vem muito mais eletrizante, pois temos vários compromissos oficiais, inúmeros obstáculos para a mulher/rainha Elizabeth, além de que conta com vário novos personagens.

O que mais me atrai na série, além de falar sobre a monarquia e a realeza, é o fato de que ela consegue abordar o lado mais profundo e mais psicológico dos personagens, saindo da mera superfície e daquilo que a mídia apresenta. Além disso, por mais licença poética que se tenha, os fatos ali exibidos são verídicos e nos mostram o crescimento da sua monarca e da Grã-Bretanha. Além disso, o figuro e a fotografia são impecáveis, além da excelente escolha dos atores.

Assim, a série The Crown é baseada nos fatos reais que ocorreram durante e um pouco antes também do reinado da Rainha Elizabeth. Tenho certeza que, se você é apaixonado por História, você vai AMAR essa série.

2     2.    When Calls The Heart (2014)

Enquanto The Crown é uma série mais séria, mais voltada para o público adulto e baseada em fatos reais, When Calls The Heart é uma série mais viva, mais leve, cheia de romance e com muitas reflexões, além de ser voltada para todos os públicos. Essa série é baseada numa série de livros da escritora Janette Oke e a série é muito apaixonante e viciante, você não vai parar de assistir, ainda que ela tenha alguns pontos distintos do livro.

A série se passa nos Anos de 1800, quando Elizabeth Tatcher, uma rica dama e apaixonada professora, vai para uma pequena comunidade no Oeste, para ser a professora do colégio. Lá, ela vai encontrar uma comunidade que foi, recentemente, assombrada com um acidente na mina, que acabou matando vários mineiros e deixando várias crianças órfãs.

Quando chega à pequena cidade, Elizabeth se vê diante de uma série situações até então inusitadas e que serão muito importantes para o seu crescimento emocional e profissional. A nossa protagonista tem um apaixonante coração e vai conquistando uma maturidade necessária para ela.

Durante esse período, Elizabeth vai conhecer o Policial Jack, que vem para cuidar da segurança da cidade e que vai virar de ponta a cabeça o coração da nossa protagonista. Jack é seguro de si e dos seus ideais, além de que vai bater de frente algumas vezes com Elizabeth, o que fará com que o sentimento cresça ainda mais rápido e forte entre eles.

Temos vários personagens importantes e cativantes, na série, e o que não vai faltar nela é história com muitas reflexões. Ainda que tenhamos momentos emocionantes, a série nos deixa leves e com aquela pontinha de esperança de que o amanhã sempre nos reserva boas surpresas.


Você não pode deixar de conferir essas duas séries! Conta aqui o que você achou delas e se já assistiu alguma!

[RESENHA] Sejamos Todos Feministas

Oi, Pessoal, tudo bem?

A resenha de hoje é MUITO especial, pois vamos falar do livro “Sejamos Todos Feministas”, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adiche, que foi publicado pela Companhia das Letras e é uma versão modificada de uma palestra que ela ofereceu, em 2012, no TedxEuston, uma conferência anual que tem a África como foco.

O livro é bem sucinto quanto ao seu tamanho, tendo apenas 50 páginas, mas carrega em si uma mensagem muito forte e empoderada, pois é aquele tipo de obra que nos deixa mais reflexivos e mais observadores das situações a nossa volta, com foco, principalmente, nas questões de gênero. Nessa conferência anual, Chimamanda escolheu como foco do debate o Feminismo e as questões de gênero que estão presentes na sociedade nigeriana e, de maneira geral, na sociedade do mundo todo, desde sempre.

A obra parte de uma afirmação que foi feita à escritora, ainda na fase da sua adolescência, quando a ela foi atribuída a certeza de que era uma feminista e que isso, definitivamente, teria uma conotação negativa. Isso estaria bem próximo, na verdade, de um apoio ao terrorismo. E, antes de nos apresentar a definição do que seria o feminismo, ela vai nos introduzindo situações do seu dia a dia que nos mostram os papéis de gênero que constantemente são atribuídos às meninas, às mulheres e às próprias idosas.

Seja no local de trabalho ou no próprio ambiente familiar, as mulheres são normalmente incumbidas dos papéis mais baixos, de forma que quanto mais próximo do topo vamos chegando, menos mulheres nós vamos encontrando, ou a elas são atribuídos salários mais baixos. 

Enquanto isso, nas casas, desde cedo, as meninas são ensinadas a fazer os trabalhos domésticos, enquanto que aos meninos são ensinados a esconder a sua vulnerabilidade, os seus traços de emoção, medo ou sensibilidade, porque as meninas devem ser dóceis e sensíveis, e os meninos devem ser fortes e sempre corajosos.
“A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura.”
O mais interessante do livro é o fato que todos nós, meninas ou mulheres, já vivenciamos tais situações ou conhecemos alguém que já passou por isso. Não é algo que está restrito à sociedade ou à cultura da Nigéria. A mudança disso não está nas mãos apenas das mulheres, mas de todos aqueles que compõem a sociedade e que buscam aceitação de quem somos na nossa totalidade e não de quem somos, com base em papéis já pré-distribuídos e divididos.

Ser feminista não é sinônimo de odiar os homens, de não usar sutiã ou de não valorizar a feminilidade. Ser feminista é defender que, não importa a idade, a crença ou o sexo, devemos estar prontos para buscar a aceitação de quem somos, sem ligar para as amarras que nos foram impostas, tantos anos atrás.

“A meu ver, feminista é o homem ou a mulher que diz: sim, existe um problema de gênero ainda hoje e temos que resolvê-lo, temos que melhorar.”
“Sejamos Todos Feministas” é um livro curtinho e com uma mensagem poderosa e gigantesca por trás das suas palavras. É um livro que lhe instiga a pensar e a perceber que todos nós devemos ser mais feministas, não só em ideias, mas também em ações. Porque toda hora é o momento certo para mudar o mundo, para chacoalhar a nossa cultura e as nossas raízes.


Classificação: 5 estrelas 

[RESENHA] Emma-Jane Austen

Oi, Pessoal, tudo bem?  Feliz 2018!

Essa é a primeira postagem do ano de 2018 e também é a primeira depois de algum tempo sem nenhuma postagem aqui, no Blog Livros e Andanças. Contudo, estabeleci como uma das metas desse ano a continuidade das postagens, com mais das minhas descobertas literárias, com as minhas crônicas e com as minhas aventuras de viajante.

Sem mais delongas, vamos à primeira resenha do ano, que é do livro Emma, da consagrada escritora inglesa Jane Austen. Ainda que o mais conhecido e o mais famoso livro da escritora seja “Orgulho e Preconceito”, é Emma que ganha destaque entre os críticos, como a verdadeira obra-prima de Austen.

O livro Emma, lançado em 1815, gira em torno da jovem Emma Woodhouse, uma dama de 22 anos, de boas posses, bonita e perspicaz, que, desde muito cedo, decidiu que jamais subiria ao altar. Contudo, tal decisão não serviu de empecilho para que ela assumisse para si a função de casamenteira, visto que obteve o maior sucesso ao unir a sua querida amiga- e antiga governanta, Miss Taylor, em matrimônio com o Sr. Weston, um homem de caráter ilibado, fortuna considerável e idade adequada.
“Há pessoas que, quanto mais fizermos por elas, menos farão por si mesmas.”
Ao longo do enredo, vamos adentrando no universo de Emma e da sua singular vizinhança de Highbury, de maneira que vamos conhecendo a intimidade da própria protagonista, do Sr. Woodhouse-seu querido pai, do Sr. e da Sra. Weston, de Miss Bates, sua mãe e sobrinha, e, é claro, do racional e sensato Sr. Knightley.

O ponto de partida do livro é o casamento de Miss Taylor e do Sr. Weston, conforme anteriormente mencionado, momento este em que Emma assume para si a função de casamenteira daqueles que lhe são queridos. É, nessa situação, que Emma conhece e toma Miss Smith, Harriet, como sua amiga e seu novo alvo para bons casamentos. Logo, Emma unirá o seu forte objetivo de casar Harriet com um bom partido, dentro, é claro, da sua classe social, em meio a uma vizinhança cheia de civilidade, boas maneiras e de muitas fofocas e suposições mascaradas de educação.

Não tenha dúvida, o livro “Emma” reflete as melhores qualidades e as características mais peculiares de Jane Austen. Ao longo das linhas, conseguimos perceber a sua sagacidade em colocar, ao longo da trama, a ironia nas ações e em pensamento, o questionamento sobre o pertencimento às classes sociais já enraizadas na sociedade londrina e, bem verdade, no mundo todo, assim como o debate sutil e inteligente a respeito da independência feminina e do seu distanciamento com o matrimônio se tornam presentes e constantes, na obra.

Emma Woodhouse é, sem dúvida, aquela protagonista que nós odiamos, mas também por quem nutrimos uma pontinha de amor e torcemos para um final feliz. Ela é rica e também esnobe, trazendo para si um traço de arrogância, que vai se tornando familiar ao longo da trama. Ela pertence a uma certa posição social e incorpora bem o seu papel. Ela sabe e defende o lugar a qual ela pertence. Ao mesmo tempo, ela é tão segura de si e das suas opiniões, tão fiel às suas decisões e devotada à sua família, que não tem como não torcer para que ela também se realize emocionalmente.

Assim como está bem dito no começo do livro, o grande mal de Emma, na verdade, é que ela pensa muito bem de si mesma. O que, de certa forma, acaba interferindo na forma como ela age e projeta o sonho dos outros. Os conselhos são tantos que Emma acaba se vendo perdida e enciumada, quando os seus alvos acabam se aproximando, além de que ela acaba percebendo e entendendo os seus verdadeiros sentimentos.  
“Se algum dia sair de sua casa, Miss Woodhouse, como agora fiz, vai compreender o quanto é bom encontrarmos algo que nos lembre o lugar que deixemos para trás.”
Por mais que o livro seja, em vários pontos, cansativo, seja pelas lamúrias do Sr. Woodhouse ou pelos discursos longos de Miss Bates, a obra reflete bem uma sociedade que gira em torno das formalidades e das “civilidades” que decorrem das posições que cada um assume. Ainda que haja tantas posições que o próprio amor deva seguir e respeitar, é possível criar laços verdadeiros entre os personagens que são realmente queridos uns para os outros.

Ah, destaque especial para o box da Editora Nova Fronteira, que está muito maravilhoso e muito lindo. Não só o box, mas cada livro na sua individualidade. O livro de Emma tem uma capa maravilhosa e a diagramação está muito incrível também. Sucesso total!


Emma é aquele clássico que nos permite conhecer uma protagonista imperfeita e que carrega em si tanta verdade e, ao mesmo tempo, tanta contradição, que a torna uma pessoa comum e capaz de ser a nossa própria vizinha. Uma protagonista que não almeja casar ou se apaixonar, numa sociedade que preza tanto o matrimônio e a posição social, mas que acaba encontrando um amor que lhe considera em toda sua totalidade, intelectual e afetiva. Um livro que vai te arrancar boas risadas e que vai te inserir no universo de estratégias e de segredos de Miss Woodhouse. 

Classificação: 3,5 estrelas

[RESENHA] A História de Malikah

Oi, Pessoal, tudo bem?

Quem me acompanha aqui sabe que a minha primeira resenha postada foi do livro “O Amor nos Tempos do Ouro”, da escritora nacional Marina Carvalho. O livro é, na verdade, um verdadeiro mergulho na própria história do Brasil, que foi brilhantemente mostrada por essa escritora tão querida. Agora, em “A História de Malikah”, vamos conhecer um pouquinho mais da história de dois personagens secundários que chamaram a nossa atenção no primeiro livro.

Antes de tudo, gostaria de dizer que a edição do livro está incrível e que a Editora GloboAlt, mais uma vez, se superou na diagramação e na arte da obra. É nítido o capricho e a atenção que foram destinadas para o livro e isso torna a obra ainda mais grandiosa e gostosa de ler.

Em “A História de Malikah” vamos conhecer as profundezas e os segredos da alma, do passado e do coração de Malikah, uma personagem extremamente forte, determinada e empoderada que conquistou o meu coração no livro anterior. Malikah, assim como os demais africanos escravizados no Brasil, foram retirados da sua terra à força e trazidos para o trabalho braçal, forçado e desumano em várias áreas do Brasil, principalmente no período do ouro.

Nessa obra, somos presenteados com dois olhares diferentes sob Malikah: em determinados capítulos, vamos acompanhar a menina ainda ingênua e jovem que ela foi um dia, enquanto que os outros já nos trazem a Malikah Mulher, Mãe e Adulta que nós já conhecíamos de vista.

Malikah cresceu dentro da Fazenda Real, que é administrada pelo horrendo e inescrupuloso Euclides de Andrade e, desde cedo, sentiu na pele as consequências do pior que o ser humano pode oferecer. Sou mãe morreu diante dos seus olhos, os seus sonhos foram esfacelados ainda no navio negreiro e quanto mais ela cresce, mais ela tem que lidar com o olhar de cobiça dos outros homens. Então, a figura de Henrique surge para Malikah (e pra gente também) como uma espécie de esperança. Como uma luz.
“A Esperança é o pilar do mundo.”
Ainda que seja filho de Euclides, Henrique carrega dentro de si a bondade e a luz herdadas de sua mãe. Ele tem um coração puro e, por mais que o mundo exija dele uma posição cruel, ele sabe ser leveza e serenidade, ele sabe aceitar e, acima de tudo, ele sabe respeitar Malikah. A verdade é que conhecer o menino que Henrique foi um dia se apresentou como uma grande ideia de Marina, pois nos aproximou ainda mais de quem os personagens verdadeiramente são e da bela e difícil história de amor que nasce entre eles.

Do outro lado da história, vamos nos deparar com um Henrique que tenta se redimir de todos os seus erros, que busca mostrar o quanto mudou e como o seu coração está caminhando para reencontrar o menino que ele foi um dia. Mas a Malikah de agora não é tão mais flexível, ela já tem um coração calejado e mais uma pessoa para proteger: Hasan, o fruto proibido do seu amor e da sua relação com Henrique. E, para completar, não só eles dois, mas também todos os moradores da Quinta Dona Regina terão que lutar contra a fúria e a vingança silenciosa de Euclides da Cunha.

Já deixei bem claro que admiro muito Malikah e esse livro só vem para ressaltar ainda mais a coragem dessa mulher, que defende com unhas e dentes aqueles que ela ama. Contudo, a nossa protagonista também tem um lado bastante impulsivo, pois ela não sabe lidar direito com os sentimentos que Henrique desperta nela. Ela tem medo e é justamente esse sentimento que aflora a sua vulnerabilidade, o que a torna ainda mais humana.

Em “O Amor nos Tempos do Ouro”, nós conhecemos um Henrique vazio e quase sem escrúpulos. E foi justamente por causa dessa imagem que eu me surpreendi tanto, ao ler esse novo livro. Eu consegui enxergar como Henrique estava tentando se redimir, como estava tentando ser melhor do que ele jamais foi. A química entre eles é palpável e é impossível não torcer para esses dois ficarem juntos, pois o amor entre eles é como se fosse esperança nos dias de incerteza, de um período tão controverso da história do Brasil.
“Algo se quebrara ali, rompendo a amizade que um dia os mantivera unidos como irmãos. Será que o destino preparava algo maior entre eles?”
Além disso, precisamos ressaltar que Marina conseguiu mesclar muito bem as cenas de pureza e de sensualidade do nosso casal protagonista. Os personagens secundários também são fundamentais, pois eles trazem o seu carisma clássico e a sua fortaleza para a construção dessa trama.

A História de Malikah” é uma obra não só sobre o amor entre duas pessoas, mas sobre o poder que esse sentimento tem para nos libertar e para nos oferecer a esperança de dias melhores. Malikah e Henrique nos ensinam que amar é, acima de tudo, perdoar e entender que, por mais tortuosa que possa ser a caminhada, ser for para o nosso bem tudo o que nós precisamos e acreditamos irá se concretizar.


Classificação: 5 estrelas (Favorito)